Quadro da vida que pintei a pincel,
O bem cuidadosamente delineado,
O mal fervorosamente riscado,
Mas de nada valeu
O bem foi corrompido
E o mal sobreviveu.
O sol deixou de brilhar, o céu escureceu.
O sonho morreu, o pesadelo nasceu.
As minhas forças foram roubadas
Não consigo dar mais nenhum passo
Os meus pés estão colados ao chão
O peso da minha alma é avassalador.
Lutar é um verbo que não consigo conjugar.
Viver passou a ser sofrer.
O sofrimento é um caminho tempestuoso para a morte.
Vem até mim anjo da morte,
Envolve-me com as tuas asas
E leva-me para bem longe.
Não consegues ouvir a minha súplica?
O meu corpo quer o conforto das tuas frias asas,
O meu coração deseja congelar,
O meu sangue sonha parar de correr pelas veias,
O meu suspiro anseia ser o último.
As lágrimas de sangue rolam pela minha face e molham o papel…
Comigo levo as marcas do meu corpo,
Marcas que foram outrora feridas abertas ao mundo,
Impressões digitais da minha dor materia...