Rasgando a minha pele

Rasgando a minha pele, a revolta interior revela-se ao mundo sob a forma de lágrimas que escorrem interminavelmente pela minha face. A pressão dentro de mim torna-se assim quantificável. A culpa é da crueldade humana e da inexistente justiça. A crueldade humana sufoca-me deixando a minha vida pendente por segundos que se arrastam pesadamente. Os meus pensamentos são negros e ensanguentados, cansados de existirem, se para nada servem. O seu veneno espalha-se nas minhas veias, adormece-me para depois me matar. Quase sinto o meu coração parar, as esperanças, essas, morrem de tédio por não serem correspondidas. A justiça, essa nunca existiu, é uma definição perdida nas páginas de um dicionário de folhas amarelecidas e empoeiradas. Hoje, aqui sentada a escrever o que me dilacera por dentro, resta-me esperar. Esperar que esse veneno realmente me mate e me traga a ausência de sentidos, ou que um poço de esperança renasça milagrosamente dentro de mim.

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